terça-feira, março 31, 2015

Criação do Projeto Familiaris Vita


No dia 31 de março de 2015, lançamos um Projeto chamado Familiaris Vita, que é um seção delegada do IIFC (Instituto Internacional Familiaris Consortio - IIFC) para o IIFC Brasil, do qual fui escolhido como membro delegado.

A Vida Familiar visa promover de forma positiva os direitos e os valores propostos na raiz nesta sociedade natural que é a Família. Ser Família, fazer parte de uma Família não é um projeto teórico, mas é uma questão que nos é imposta pela natureza humana. Definitivamente somos seres familiares e esta se desenvolve por meio de valores primordiais que se condizem com a natureza humana. Qualquer inventiva de se recriar um modelo de Família ou de se empenhar em ataques contra ela é um ato contra a natureza humana e um atentado contra a pessoa e o seu direito natural.

Por isso, as Famílias formadas por todos os estados de seus entes (Pai, Mãe, Esposo, Esposa, Filhos, Irmãos...) requer que sejam promovidos altíssimos valores, que irão conceder a cada pessoa força e liberdade de crescer de forma segura. Desenvolver o entendimento das responsabilidades de cada ente familiar e em sua condição é fundamental.

A Família, célula mater da sociedade deve ser defendida a todo o custo, a tempo e a contra-tempo, mas mais do que isso, deve ser promovida como Santuário da Vida e Igreja Doméstica, ou seja, os valores que regem uma Família são mais do que meros direitos e deveres naturais, mas são de direito divino.

O Papa João Paulo II dizia que o "Futuro da Humanidade passa pela Família". E este é um fato. Quer defender os seus filhos, quer defender o futuro, defenda a sua Família seja na condição de Pai ou Mãe, Esposo ou Esposa, Filho ou Filha, Irmão ou Irmã... Defenda a Família!

Blog Famílias: http://familias.miliciadesantamaria.com.br

Facebook: http://Facebook.com/FamiliarisVita


sexta-feira, março 27, 2015

Carlos Aguiar se encontra com irmão de Shahbaz Bhatti

Paul Bhatti recebe material do
Círculo Shahbaz Bhatti
No dia 27 de março de 2015, o sr. Carlos Aguiar, Provincial para o Brasil, Espanha e Portugal, encontrou-se com o sr. Paul Jacob Bhatti, político paquistanês e irmão de Shahbaz Bhatti, que foi Ministro do Governo Paquistanês para as Minorias e que foi assassinado no dia 02 de março de 2011, sendo a causa de sua morte a sua defesa as minorias, sobretudo religiosas no Paquistão, onde prevalece ainda ideias fundamentalistas sobre a crença e sobre a religião. Shahbaz Bhatti havia avançado muito no diálogo e no respeito aos Cristãos no país, sendo ele mesmo Católico devoto.

O encontro aconteceu na cidade de Fátima, e o sr. Carlos, criador do Círculo Shahbaz bhatti de apoio aos cristãos perseguidos, entregou ao sr. Paul um documento em que relata as atividades do círculo que leva o nome de seu irmão. Paul até então não conhecia as atividades da Militia Sanctae Mariae e do Círculo que leva o nome de seu irmão.


Um encontro providencial, indicando que o "sangue dos mártires é semente de novos cristãos".

Assista o vídeo "Shahbaz Bhatti, um homem com um sonho", produzido pela AIS.



sexta-feira, março 06, 2015

Salmo 1

Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite. Ele é como a árvore plantada na margem das águas correntes: dá fruto na época própria, sua folhagem não murchará jamais. Tudo o que empreende, prospera. Os ímpios não são assim! Mas são como a palha que o vento leva. Por isso não suportarão o juízo, nem permanecerão os pecadores na assembléia dos justos. Porque o Senhor vela pelo caminho dos justos, ao passo que o dos ímpios leva à perdição.

sábado, fevereiro 07, 2015

I Jornada Capitular da MSM no Brasil

Cônego Alfredo, da Paróquia Santa Cecília em São Paulo, junto com os
Escudeiros-Donatos e Freires D´Armas da MSM Brasil
A I Jornada Capitular da Milícia de Santa Maria no Brasil foi um momento de renovação dos compromissos com a Regra, mas o mais marcante foram os diversos períodos de silêncio e de oração que ocorreram durante o dia 07 de fevereiro de 2015, na Igreja de Santa Cecília, na cidade de São Paulo.

Depois, de um dia com palestras e outras exortações realizadas pelo sr. Michel Pagiossi, Preceptor para o Brasil, a Jornada teve o seu encerramento com a Santa Missa celebrada pelo Pároco Cônego Alfredo, amigo e grande incentivador da Milícia de Santa Maria. Não posso deixar de expor a minha consideração que eu tenho pelo Cônego Alfredo, um grande Sacerdote da nossa Igreja, pessoa de um um coração humilde e com um sorriso sempre generoso.

Estiveram presentes na I Jornada Capitular da MSM Brasil, seguindo da esquerda para a direita na foto:

Sr. Ivair Cantelli (Freire D´Armas), sr. Bruno Farias (Escudeiro-Donato), sr. Michel Pagiossi
(Escudeiro-Donato e Preceptor para o Brasil); Rev. Cônego Alfredo (Paróquia Santa Cecília); sr. João Batista Passos (Escudeiro-Donato); sr. Kleber Batista (Freire D´Armas) e com a Bandeira da MSM, o sr. Danilo Rosa.

terça-feira, dezembro 23, 2014

Um mundo perfeito...(?!)...

O mundo será mundo quando se render ao poder do amor divino
Não.. esta não é uma mensagem de Natal...
O mundo é bom, porém, imperfeito segundo a nossa concepção e condição de seres imperfeitos. Por isso, duvide dos discursos que desejam criar métodos para as virtudes, a virtude é querida, mas não há métodos para cultivá-la, há atos heroicos que as tornam concretas, e isto é realmente uma loucura segundo a nossa imperfeição, porém, muito querida por nós. 

A criação de possíveis métodos para a criação de um mundo perfeito parte de um racionalismo sem-vergonha, que vislumbra a criação de uma humanidade metodicamente virtuosa e isso faz com que se exclua também a caridade e a misericórdia é posta de lado na convivência... deixamos de ser uma raça humana, pois com isso, inevitavelmente colocamos a nossa humanidade debaixo do tapete. 

O mundo nunca se tornou melhor pelos métodos racionalmente sugeridos (inclusive, conseguiram tornar o mundo num lugar muito pior e de fato tenebroso... conforme experiências...), pelos governos que vislumbram colocar todos em uma mesma linha de existência, pelas leis puristas e excessivas que, apesar de parecerem algo metodicamente virtuoso, não se sustentam, pois exclui os atos de compaixão e misericórdia de nossos dias. Não me refiro a aplicação de punições aos erros, mas simplesmente da concepção de que virtudes se criam por meio de leis puristas, ideologias socialmente puritanas, excessivas e excessivamente falhas, por serem segundo a lógica, o caminho de uma humanidade perfeita. 

Estes dias comentei com não sei quem que achou estranho, não aprendemos a amar as pessoas pelas suas virtudes, isso no máximo nos é capaz de gerar admiração, mas aprendemos a amar as pessoas através de seus defeitos, naquilo que em nossa doação possa ser superado, suplantado, cuidado, transformado... 

O excesso de leis nos mata o espírito, definha a alma, aprisiona o bom senso, exclui a caridade... Se não estamos prontos a amar, se não estamos prontos a crer no heroísmo que requer as virtudes, estaremos prontos para vivermos num mundo miserável, uma espécie de clube que aceita somente pessoas ditas respeitáveis, sem misérias internas, desprovidos de erros, pecados... seres finitamente perfeitos... 

Deus nos amou sempre e ama a todos por igual, desde a criação, mas o que O fez em pensar em enviar o seu único Filho, destituído de sua condição divina, enviá-lo como um miserável no meio de miseráveis se não um chute no balde das leis excessivas, da fábula de um mundo perfeito segundo as regras, de um mundo quase bonito por fora e tosco e fosco por dentro que nós sempre criamos e recriamos? 

Foi pelas nossas deficiências que Jesus se fez um de nós, repito aqui o que já escrevi em outra feita, Ele veio fazer o que nós não gostaríamos, queríamos ou evitaríamos a fazer... Ele não nos informou quais as deficiências nossas seriam curadas e quais não seriam curadas... Ele simplesmente veio e reduziu tudo em amor (não vou dizer amor verdadeiro, pois se é amor é verdadeiro)... Ele esmagou o mundo caricato fundamentado nas metodologias criadoras de falsas virtudes, fechou as portas dos clubes dos perfeitos (que eram limitados demais para a grandeza para a qual Deus nos chamou...)... 

Jesus reduziu ao máximo as regras, constrangendo-nos com as nossas teorias virtualizantes, constrangeu-nos com os nossos criadouros de virtudes flácidas e pouco eficazes (poderiam ser eficazes se houvesse na prática amor e misericórdia, coisa excluída do mundo de pessoas respeitáveis...)

Santo Agostinho, pela grandeza que o Espírito Santo o iluminou, reduziria todas as minhas palavras em "Oh, feliz culpa que nos trouxeste tão grande salvador..." Deus nos amou desde a concepção da criação de seres para serem a sua imagem e semelhança, mas Deus se viu "obrigado" a amar-nos ainda mais pelas nossas deficiências e levar este amor às últimas consequências... por isso, eu preciso esquecer os métodos, eu preciso esquecer a compreensão dos mistérios que muitos livros teimaram em me "revelar" e acabaram por limitar o tamanho que é o mistério... aliás, infinito... 

Espero esquecer todas as regras que aprendi e me ater eternamente, em minha pobreza mendicante por um pouco de algo que não seja meu, amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a mim mesmo.... repetir isso até que fique gravado em minha cabeça dura e burra...

O mundo sofre por não amar suficientemente, e esquecemos que o mundo foi concebido por Deus à base da força do amor... na deficiência de amar planejamos, esquematizamos um mundo perfeito, quase sempre exteriormente, pois um mundo perfeito, com mais amor que parta de nós é realmente uma cruz mais pesada do que conceber um mundo exteriormente belo... as palavras que vislumbra um mundo melhor, quase sempre se esbarra na força do amor... o amor não deixa que a recriação de um mundo metodicamente perfeito e virtuoso seja plenificada... por isso a amor é ainda uma loucura incompreendida no mundo...

Ps. Pensando nisso, em escrever isso, me deparo com a mensagem de meu amigo Juliano Cizotti que resumiria tudo em uma dúzia de palavras...:

"A regra do amor é muito simples: ele nasce sem razão e se sustenta pela vontade. Ai de quem exige razões pra amar! Ai de quem quer que o amor nascido se sustente por inércia!"

terça-feira, outubro 28, 2014

Um só povo... sem dono e sem heróis...


Eu hoje vi e respondi alguns posts de pessoas que atacaram os brasileiros do Nordeste por causa da expressiva votação em favor da situação do atual governo... talvez, estes ataques sejam os mais lastimáveis fatos destas eleições.. mapas dividindo o povo brasileiro entre Norte e Sul... mas eu ainda vejo que tem pessoas que conseguem usar destes expedientes, totalmente reprováveis, para promover uma espécie de "paternalismo eleitoral"... tão ou mais reprovável do que a segregação... pois se o primeiro é reprovável por sugeri-lo, o outro também o é por querer confirmá-lo...

Eu acho ofensivo falar em dividir o Povo Brasileiro... só é povo brasileiro por estarmos todos aqui e juntos... caso contrário, poderíamos vislumbrar esta porção de terra chamada República Federativa do Brasil em um punhado de pequenas nações independentes... mas não.. isso aqui é um paizão só mesmo, sem donos e sem heróis... temos aversão aos heróis nacionais...

Eu vejo pessoas dizendo "venha aqui, meu nordestininho... vou defendê-lo desta raça sulista...".. Oxe, uai... será que o brasileiro do norte ou o do nordeste precisa mesmo de colinho, é?!.. Claro que não... se quer saber se tem um povo que é porreta, cabra da peste e forte pra caramba é o povo nordestino... forte de corpo e de espírito, lá estão os únicos que conseguiram codificar uma cultura essencialmente brasileira...

Meus filhos são descendentes de pernambucanos, e a única coisa que eu quero é que eles aprendam tudo sobre as suas origens, seja as daqui de Minas ou seja as de lá de Récife, Ólinda... lá eles tem parentes, tem primos, tem bisavós (uma faleceu este ano e eu a conheci e ela nos contou que viu frente a frente o sr. Virgulino Ferreira e a outra que já tem 103 anos de idade... é forte ou não, é?!)

E fica gente criando um vitimismo que não combina com o povo brasileiro.. brasileiro é sim simples e um povo generoso, marcado muito pela sua honra... as coisas aqui se medem mais pelos valores transcendentes do que por quimeras...

É hora de se manter forte, de pé... quem diz o contrário divide não só o norte e o sul, mas também pais e filhos, maridos e esposas... a divisão nunca foi um bem e altamente é condenável o cisma.

Brasileiros do Sul, do Norte, do Centro-Oeste, do Nordeste e do Sudeste... uni-vos ainda mais, ainda mais... se quisermos salvar o Brasil como País e o nosso povo brasileiro como Nação.

Quem quer nos dividir não nos quer brasileiros unidos... não querem saber se está no norte ou sul... quem quer dividir ou é muito idiota e não tem um amendoim na caixola ou quer fazer-nos uma nação dos "submissos" a eles contra os "insubmissos"... não caiamos nesta... somos um só povo brasileiro...

Oxe, uai... ou é Brasil ou não é?!.. Ou é Brasileiro ou não é... não temos donos e nem precisamos de heróis... e Deus está acima de tudo... For All...



quinta-feira, setembro 25, 2014

É Cristo quem nos atrai...

Hoje eu passei rapidamente na Igreja, pensei que estava sendo descompromissado e um pouco desligado, quando eu caminhava e me aproximava do templo, pensava como eu estava frio, como eu havia errado em umas atitudes minhas (como pai e esposo, como trabalhador...)... enfim, eu sentia-me distante do Senhor naquele momento, senti-me que não deveria nem entrar naquele momento e voltar em outro momento em que o meu coração estivesse melhor sintonizado com as coisas de Deus, que estivesse melhorado nas pequenas (e persistentes) coisas do dia-a-dia. Fui me aproximando vazio, quase voltando atrás, mas neste momento, senti em meu coração algo que me dizia que não era eu que decidi ir na Igreja, naquela hora, mas que fui até lá atraído por Cristo... nestes momentos simples é que Deus nos afirma o seu amor para conosco, nestes momentos, aquele imenso e indescritível amor se torna um pouco mais compreensivo.

sexta-feira, agosto 22, 2014

Livramos Barrabás, condenamos Jesus...

O que você sente quando lê a passagem em que entregam Jesus e libertam Barrabás? A gente pensa "que povo sem alma, sem coração"... resumindo pensamos "que povo burro"... e ficamos tristes por pensar que se estivéssemos lá seriamos defensores da causa de Jesus.

Acho que precisamos compreender esta passagem bíblica de forma um pouco diferente... de uma forma mais passiva mesmo, não passional ou que não nos toque, mas que o ato de Cristo supera tudo o que pensamos, todos os nossos conceitos de bom e mal, certo e errado...

Pergunte-se. E se Jesus estivesse sido livre e Barrabás um dos mortos na cruz? O que teria acontecido? Qual a vantagem disso? Absolutamente nenhuma, seria mais um morto pelos seus crimes.

A nossa salvação dependeu daquele ocaso e ocasião, Jesus havia de sofrer e não querer isso por causa daquele piedosismo piegas teria criado a possibilidade de não termos sido salvos pelo Sacrifício perfeito de Jesus, o Cristo, na Cruz.

Aí pensamos, que a cruz é sempre cruz... Jesus foi convidado a provar que era o Filho de Deus... "desça daí se for o Filho de Deus"... Jesus poderia ter querido provar que era capaz de salvar ao mundo, salvando a si mesmo naquele momento...

Não olhar com sentimentalismo para Aquela vítima nos ajuda a compreendermos um pouco mais da infinita dimensão que toma cada gesto e cada ato de Jesus em sua paixão.

Ficar com "dó" de Jesus quando escolhemos entre Ele e Barrabás não é muito cristão. Jesus não abdicaria de seu amor por nós, Jesus era grande também diante da Cruz... Ele não a temia.

Ficar com "dó" é atuar como Pedro e correr o risco de num coitadismo passional digamos na verdade palavras tentadoras contra a Missão de Jesus... 

Desde então, Jesus começou a manifestar a seus discípulos que precisava ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia.

Pedro então começou a interpelá-lo e protestar nestes termos: Que Deus não permita isto, Senhor! Isto não te acontecerá!

Mas Jesus, voltando-se para ele, disse-lhe: Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!

Aqui estamos, nós e Jesus e Barrabás. Escolhemos quem para ser curcificado? Jesus ou Barrabás?

Como Cristãos, devemos ver um Deus que nos ama ao extremo e sem limites, que vai além e que seus gestos, por mais que nos pareçam limitados pelo nosso espaço e tempo vai muito além... Jesus é grande, é Senhor, Vive e Impera para sempre...

A parte: Hoje eu ouvi algo muito interessante, que a história do Cristianismo é mais do que a procura do homem por Deus, mas é a procura de Deus pelo homem... faz todo o sentido. Neste sentido, lembro-me também das palavras do Bispo Emérito de nossa Diocese, Dom José Geraldo... Deus ama a todos igualmente, assim como Ele amou grandemente Maria, Ele ama grandemente a todos e qualquer um, não o ama menos por ter sido bom ou por ter errado... a questão é quanto O amamos, o quanto nós nos abrimos para esta novidade do Amor Divino (tão antiga e quase sempre tão nova)... 

sexta-feira, agosto 15, 2014

Igreja Santa e Santificadora

A Igreja é Santa, portanto, Santificadora. Assim. como a sua cabeça é o Santo dos Santos e deseja a santidade a todos os membros de seu corpo, que é a Igreja, podemos dizer que a Igreja é Santa e Santificadora.

Seria errado, usar, pelo menos sem um contexto explicitamente claro, que a Igreja é Santa e Pecadora, pois não é, a Igreja é terminantemente SANTA e nela não há pecados e nem manchas.

Quando se quer se referir ao pecado daqueles seus membros que pelas suas fragilidades cometem atos incoerentes ao que ensina, pede e nos capacita a Igreja, é bom que se refira ao pecado pessoal, particular ou mesmo os desvios cometidos por grupos, que atuam na contramão da Santidade exigida pela Igreja para que com Ela esteja em plena comunhão.

Dizer que a Igreja é Santa e Pecadora, não significa que pecadores entrarão no céu, mas significa que no próprio Céu o pecado estaria presente.

Para entendermos um pouco melhor, que a comunhão com a Igreja, ou seja, a aproximação de nós, seus membros e ainda pecadores, precisamos realizar pelas nossas vontades atos coerentes do que se pede a caridade da Igreja, ou seja, pela caridade abrimos mão de nós mesmos, de nossos egoísmos e servimos ao outro, ao próximo com amor (a tendência do nosso pecado é que não nos tornemos abertos, mas limitados e preguiçosos em ajudar)... este ato de redução de si mesmo em favor do outro pela causa do Evangelho e pela Construção do Reino de Deus já aqui na terra são elementos de comunhão em perfeita sintonia com a Igreja de Cristo (diga-se passagem única e santa)... Ao passo que nos tornamos membros pela nossa comunhão com a Igreja e com Cristo, nos santificamos, mas quando abrimos mãos e em nossos atos se tornam egoístas, mesquinhos, individualistas, autorreferentes, nos distanciamos conscientemente da Comunhão com Cristo, ou seja, com a sua Igreja e portanto, entendemos que o pecado não faz parte em nenhuma forma da comunhão da Igreja.

A Comunidade peregrina da Igreja tem em seu meio santos e pecadores (até é por causa dos Pecadores que ela existe.. se houvesse somente Santos a Igreja seria não necessária... como diria Augustinho de Hipona, Santo e Doutor "Ó feliz culpa, que nos trouxeste tão grande Salvador"), ou pessoas que se aproximam de formas diferentes, variadas, da comunhão da Igreja e da santidade como se afasta dela pelo pecado. Quando cometo pecado me afasto de uma perfeita comunhão com a Igreja, mesmo ainda que eu não perca a plena comunhão, dela me afasto.

O termo Igreja Santa não indica que ela é passivelmente santa, mas que é ativamente santa, que o brilho e seu resplendor de santidade atua pelos méritos de Cristo na vida de todos, e de maneira ordinária pelos batizados, que em sua liberdade, prestam o seu assentimento ao que pede Deus e a Igreja.

A santidade que alcançamos depende mais da Igreja do que de nós mesmos, pois a Santidade é a atuação da graça do Senhor em nossas vidas e dela dependemos, pois não há em nós nenhum mérito, mas tais méritos estão em Cristo, nosso Salvador e Santificador de nossas vidas. Por isso, podemos dizer que a Igreja é Santa e Santificadora, mas não podemos dizer, que a Igreja (com I maiúsculo) é Santa e Pecadora.

Por isso, ao ouvirmos que a "Igreja" é santa e pecadora, entendamos que não se relaciona o termo "igreja" a Igreja, mas a comunidade de fiéis, santos, pecadores e os mais ou menos.

quinta-feira, julho 24, 2014

Sou Poeta

Eu sou poeta

Se eu não fosse poeta, me obrigaria a sê-lo.
Mas eu sou, logo, não me obrigo a isso.
Não sou poeta por ser melhor,
Sou poeta por me ser doce pescar palavras.

quarta-feira, julho 23, 2014

É tempo de viver

Um homem havia perdido anos de sua vida, sem sair do lugar, passavam dias e noites e ele meditava sobre a vida, mas a vida passava constantemente pela sua janela e ele não a percebia, pois somente vivia para meditá-la. Em sua velha casinha em um bairro de uma cidade que ia crescendo dia-a-dia, construiu-se prédios, pontes, viadutos, templos, escolas, hospitais, as pessoas nasciam, cresciam e morriam e este senhor não se dava conta disso. Um dia, ele ao pensar na vida em sua casa, teve um raciocínio quase que fatal, sentiu-se envolto de uma vida vazia, de uma vida sem vida, sentiu-se como se estivesse em coma há anos e nada fazia sentido, não pensou em nada, pensou somente que a vida que ele procurara tanta iluminação ficou apenas um tenebroso vale de sombras, insosso, inexistente.

Pensou em sair de casa, como prestes a morrer por não ter encontrado em si o sentido de sua própria vida. Pegou o velho guarda-chuvas no qual acumulara bastante pó e nunca havia visto água, fazia sol lá fora, mas ele quis levar o guarda-chuvas como uma segurança a mais, em meio ao mundo que julgara desgovernado, caótico.

Ao sair, viu crianças indo para a escola e elas conversavam entre si, viu um policial prestando informações a um viajante que estava na cidade, viu a banca de jornais estampando revistas coloridas, viu moças e rapazes bem vestidos indo para os seus trabalhos. Viu um carrinho de nenem, olhou para a criança e a criança gratuitamente lhe sorriu e ele sorriu para a criança como que num impulso, nada pensado. Continuou a caminhar em meios as cores que o sol lhe trazia, somente estas pequenas coisas faziam mais sentido do que tudo o que antes ele havia pensado.

Havia pensado em um mundo sem cores, sem amor, desiludido com a sua própria obrigação de existir. Sim, o mundo também era isso, ele lembra disso, mas viu que a vida deu os seus jeitos, que a vida seguiu os seus caminhos, que em meio a vias tortuosas ela transitou e chegou radiante e linda ao dia de hoje, com sinais claros de seu vigor e força.

As teorias de nada serviam para provar nada, pensou ele consigo, se não houver movimento, cores, brisas, passeios e pedestres e principalmente se não houver uma persistente esperança no momento presente, no hoje e no agora.

Pensou que era tempo de correr, mas desistiu, era simplesmente o tempo de viver, de respirar da mesma forma que o mais rico homem do mundo e o mais miserável deles respiram, é tempo de dar um primeiro passo, sem olhar para trás e de crer ainda, um pouco mais na vida, amá-la, respeitá-la, nos momentos oportunos e inoportunos.

Ao anoitecer, ainda radiante com a vida cheia de cores, sons (e ruídos também), ele viu que tudo foi se esvaindo, que as pessoas sumiram das ruas e foram para as suas casas, até os bares noturno mais insistentes ele viu fechar, aprofundou-se no silêncio percebeu que havia perdido muito tempo, mas não quis teorias mais, quis sentir um pouco mais da vida que havia perdido e agora começa a recuperá-la.

Foi para a casa, antes de entrar, viu-a como um mausoléu, escura, abandonada, ainda fechada, sem cor, sem som, sem movimento. Entrou e desejou logo ir deitar-se e relembrar tudo o que havia visto, ouvido, tocado, mas não, pensou em arrumar a própria casa, tirar dela o pó, mudar os móveis de lugar, pensou até mesmo em ligar a velha vitrola com os velhos discos que há muito não mais ouvia e assim o fez, o fez de forma cautelar, para não atrapalhar a vida dos que dormiam.

Nas arrumações percebeu que havia perdido o seu guarda-chuva e riu disso, disse que para viver as vezes é também necessários correr riscos, grandes ou pequenos como perder um guarda-chuva velho.

Sentou-se e esperou o dia amanhecer e como num ato penitencial, decidiu não dormir, apesar de sentir-se cansado, pois havia passado a noite acordado e espirrando, devido aos fungos de toda a sua vida pregressa.

Ao sair o sol, saiu para a rua, tomou um um café na padaria e viu as pessoas conversando e percebeu que elas nem se conheciam, mas trocavam informações sobre futebol (lembrou ele que torcia para um time também) e perguntou sobre como o seu time havia ido no campeonato e disseram que quase foi campeão e que tinha bons jogadores. Tomou o café, despediu-se de suas amizades relâmpagos e foi caminhar.

De todas as construções ele viu que a mais bela ainda era a antiga Igreja do bairro, foi lá ver ela por dentro, viu a imagem do Cristo na Cruz e lembrou que ela estava lá quando ainda era criança. Aquela imagem fulminou-o por alguns segundos, sentiu-se que o amor era insistente pois o valor dos sacrifícios são também insistentes.

Pax et Fides!

João Batista Passos

O desejo de ser desejado

A alegria do ser humano constitui em um único elemento e este elemento é a forma com que se entrega ao amor de Deus. Entregar-se abertamente e de forma livre, entregar-se por querer entregar-se, por desejo expresso por atos de vontade.

Deus supera todas as nossas expectativas, Deus supre em nosso ser todas as necessidades, Deus nos ama e nos deseja.

Há um tempo, já há um bom tempo pensei em uma necessidade humana, que é o desejo de ser desejado. Todos nós temos este desejo e o praticamos das mais variadas formas, as vezes chegamos a sermos mesquinhos e absurdos ao intentar suprir em nós tal demanda, que é natural, porém, que não se apetece facilmente, antes estimula repetidas vezes os mesmos sentidos, sentimentos a ponto de beirar ou transformar-se em vícios que deformam a identidade de ser humano.

Porém, este desejo de ser desejado é natural, e é real que assim seja, pois quando fomos criados por Deus a sua imagem e semelhança, Deus nos amou de tal forma e imprimiu em nós também traços deste amor insondável, resumindo, Deus nos deixou claro que Ele nos ama tão ardentemente ao ponto de nos desejar, de pensar em nós e em cada um de nós, sempre (poderia dizer aqui que Deus pensa em nós em nosso dia e em nossa noite) e Ele nos quer em absoluto dar-nos respostas com este amor com que Ele nos criou e nos deseja.

Quando sentimos a presença de Deus nos mais simples gestos de abertura a sua vontade, sentimo-nos realizados de maneira real e concreta, não porque recebemos nestes atos algo em troca que nos seja visível ou palpável, mas que em nosso mais íntimo tem-se esta sensação de uma enorme e indescritível felicidade.

Quando eu penso nestas palavras e as pensei muito antes de escrever (penso nisso há alguns anos), e evitei de escrevê-las de qualquer forma (mas que de qualquer forma precisava escrevê-las e assim o faço de maneira simples), logo me dirijo ao que nos disse Santo Agostinho sobre isso:
"Fizeste-nos para Ti e inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Ti."
Também, talvez, me faça compreender uma oração de Santa Teresa D´Avila:
Nada te perturbe, Nada te espante,Tudo passa, Deus não muda,A paciência tudo alcança;Quem a Deus tem, Nada lhe falta: Só Deus basta. 
Todos os nossos desejos, os mais secretos, os mais discretos, os mais íntimos ou os mais assumidos se resume em um, o de desejar o desejo de Deus por nós. Nesta compreensão assumimos a nossa identidade própria, pois diante do olhar de Deus nos compreendemos melhor, sabemos o quanto somos amados, sabemos o quanto Deus nos fez felizes e felizes mesmo.

O mundo, na tentativa de eliminar ou banalizar a presença de Deus, faz com que as pessoas descuidem disso, deste sentimento que lhes é próprio, mas que passam a "completar-se" ou a realizar-se pelas coisas que não lhes são sequer inerentes a sua natureza, mesmo que intimamente alarmadas pelo íntimo do consciente, tem se entregado cada dia mais a uma deformação sem limites da personalidade, degenera o sentido da pessoa humana, de si mesmo e da própria identidade e passa a se sobrepor tais desejos (fast-wishes) a vida humana e à própria vida.

Buscarão e não encontrarão, viverão uma vida sem vida, uma vida com repentinos momentos de realizações, muitas vezes necessariamente absurdos e extravagantes, mas que precisam ser repetidas, pois não se realiza o sentimento de ser desejado com amor, com o amor que só Deus tem por nós, por aquele amor que nos eleva, nos constrói, nos faz bem.

Só Deus basta e o nosso coração não repousará enquanto não sentirmos o quanto somos amados e desejados e o quanto este amor nos preenche substancialmente.

Pax et Fides!

João Batista Passos