sexta-feira, dezembro 04, 2009

A história do Guaraná Pequetito

Nem é preciso dizer. Algumas pessoas trazem estampado na própria fisionomia, o gosto que têm pelo trabalho desenvolvido e, quando falam dele, seus olhos passam a ter um brilho diferente. Foi o que ocorreu, quando quisemos saber sobre uma das mais tradicionais indústrias de Monte Santo, e nos disseram: "Ninguém conhece melhor a história do Guaraná Pequetito, que o Senhor José", referindo-se a José de Souza.

De fato, ele a conhece bem, afinal há 52 anos desde o início das atividades, se a direção da empresa mudou de mãos algumas vezes, ele permaneceu em suas funções, cuidando com muito zelo para manter o paladar de um dos mais tradicionais refrigerantes mineiros.

A indústria foi fundada em 1951 por Adalberto Tortorelli e, além de engarrafar aguardentes, vindos de Santa Cruz das Palmeiras, Estado de São Paulo, começou a produzir refrigerante, na época, chamado Guaraná Montessantense.

As cachaças "Nova Guapé", "Gatinha", entre outras engarrafadas, a princípio representavam o forte do faturamento, mas com o passar do tempo houve uma inversão.

Adquirida por Tito Paulino, a indústria foi vendida posteriormente para Wenceslau Pereira dos Reis, o Pequetito, que resolveu utilizar a forma carinhosa como era chamado, para o denominar o guaraná. Acertou em cheio. As coisas se casaram tão perfeitamente que quando se pensou em mudar o refrigerante de nome, houve restrições por parte de consumidores. Tanto é que mesmo diversificando a linha de produção, incluindo outros sabores e as novas versões de embalagens, foi mantida a tradicional garrafinha caçula do Guaraná Pequetito que é distribuído pelo interior mineiro.

Com equipamento moderno e utilizando-se de tecnologia de ponta, os atuais proprietários Pedro Faria da Fonseca e Willi Duerre Filho, acompanham as inovações do setor, mas fiéis à tradição da marca Pequetito. E quando assim procedem, tomam por base razões muito fortes. Afinal, nesse meio século de existência, existe também um liame muito grande, do Guaraná Pequetito com a história de Monte Santo que está aniversariando.

Algo que às vezes, a explicação novamente está nos olhos, falando mais que as palavras. O funcionário José de Souza, por exemplo, estava visivelmente emocionado quando concluiu: "Minha alegria é manter a fábrica sempre funcionando".

sábado, novembro 28, 2009

Ano Novo Católico

Amanhã inicia-se um novo ano litúrgico para os Católicos, momento especial de renovarmos os nossos compromissos batismais e restabelecermos a nossa relação com a Igreja de Cristo de forma revigorada e simples. Hoje termina um ano e sabemos que muito do que deviamos ter realizado ficou para trás, devido a falta de tempo e muitas vezes por culpa própria mesmo. Renovar tudo o que nos relaciona com a Igreja significa renovar os nossos laços com Deus. Transformar-nos em Deus em referência a um novo compromisso de Fé e ação, que com humildade, simplicidade e sinceridade de coração há de prover frutos de verdadeira conversão interior e uma consolação na esperança da vinda de Jesus Cristo, Nosso Salvador.

Todos os laços verdadeiros, que não visam o egoísmo humano, devem receber de todos os católicos os bons propósitos de nossas orações e ações. A Igreja, a Família, os amigos, a sociedade, enfim, todos aqueles que devemos ter oportunidade de acolhê-los em nossos corações e receber deles a Luz de Cristo ou segundo a graça, transmitir de forma intensa e clara esta mesma Luz e assim anunciar ao mundo e a todos a alegria de nossas esperanças.

Fazer votos de conversão, da oração cotidiana, corrigir aquilo tudo que nos foi falho durante o ano que se passou e focar tudo novamente sob a ótica do compromisso cristão para com a Igreja de Cristo e tudo ao que ela se relaciona de forma verdadeira e honesta.

Cristo Rei, nossa esperança certa, transformai-nos em verdadeiros seguidores de vosssa forte e inspiradora Palavra, permita-nos ser capazes de prepararmos a nossa morada ao Espírito Santo que em nós habita por vossa Graça e Mérito, e de nos relacionarmos com o mesmo Espírito de forma humilde, reconhecendo que a Sabedoria Divina é o nosso porto seguro e que nos conduz para águas mais tranquilas. Fazei de nós, filhos da Igreja, fiéis e firmes no Caminho, na Verdade e na Vida, fazei-nos fortes e inteiramente em Cristo Jesus, Rei do Universo.

Advento é esperar aquele que vem em nome do Senhor e viver por esperá-lo, é viver segundo a Fé, a Esperança e a Caridade, conforme o desejo da Graça de Deus, a vida em Cristo desde o agora até o infinito Céu que nos foi prometido e conquistado para nós, por Nosso Senhor Jesus Cristo, Nosso Salvador.

Que saibamos celebrar o primeiro Advento de forma interiorizada para que possamos absorver em nosso ser a força do Mistério do Nascimento de Jesus Cristo, Deus Conosco, feito um de nós no Santíssimo Ventre da Santíssima Virgem Maria, a Cheia de Graça, conforme a anunciação do Anjo enviado por Deus.

A todos, um Feliz Ano Novo Católico amando a Deus sobre todas as coisas, com todas as nossas forças e entendimento e amando o próximo e amando a nós mesmos, que possuimos a graça de sermos criados por Deus e tornados seus filhos através de sua Santa Igreja.

Pax et Fides!

João Batista Passos
Pro Catholica Societate

sexta-feira, agosto 21, 2009

Distancias...

Distancias. Reticências.

Vaga-me a minha memória, por entre as suas orelhas, que hoje são minhas, as minhas. Não consigo tirar o estar com quem sem querer, zela por mim, e por aqueles que sem eu querer, zelo por eles, mesmo que distante, zelo por eles. Penso e penso e não os vejo próximos de mim, mas no fundo percebo que não estão próximos assim, pois já estão em mim, são eu, parte de mim inteiro que decide pensar e pensar em quem me tornei, nós.

Para onde vou já não os levo comigo, mas são vocês eu e assim penso conduzir sendo que conduzido sou pela saudade do olhar, do dizer, do sim e não, do paraíso que é nós. Eu não penso em pensar, penso por sentir, por ser essencial ao que eu pensava ser, não era e me tornei. Nós.

Hoje já não sou eu, sou nós, pai, mãe, esposo, esposa, filho, filha. Nós. Um de cada não, um de todos formam quem sou, formam quem eu nasci pra ser, nós.

Move-me os dentes e olhos sinceros, risos e lágrimas que passam por debaixo de uma ponte de um belo riozinho de qualquer lugar, que se chama vida.

Minha vida somos nós.

Eu te amo, te amo e te amo. Um te amo para cada um de todos nós.

Assinado, eu.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Eu tenho medo do "deus-amor"

Caros,


Paz e Fé em Cristo Jesus!


Algo me incomoda sobremaneira. O pensamento corrente em um "deus-amor" que se contrapõe ao Deus revelado nas páginas da Bíblia e por toda a amplitude da Revelação Divina. Ora, Deus, criador do céu e da terra não é também um Deus-Amor? Sim, Deus é Amor, para sabermos sobre isto, basta lermos a I Carta do Apóstolo João, onde ele não somente explicita o Amor Divino como diz que quem não ama não é de Deus. Para tratarmos melhor esta questão, vamos então conhecer um pouco deste "deus-amor" recorrente em nosso tempo. Um dos maiores perigos, tanto pelo excesso quanto pelo desleixo é justamente querermos moldarmos um deus as nossas convêniencias, que seja compatível ao modo de pensar nas diversas épocas de nossa sociedade. O que acontece em nossa época? Acontece que há um esfriamento da Fé, um esquecimento muito grande do compromisso com a Fé e seus mínimos preceitos, um aniquilamento do modo geral de que Fé não é exatamente necessário para ser uma boa pessoa, o clima atual nos faz pensar que a Fé é apenas um ato bom e natural e que no fundo no fundo não leva ninguém a nada, a não ser confortá-las até o fim da vida. Já que há uma dormência do conhecimento de Deus, então alarga-se o campo das teorias religiosas de nossos tempos e que estas teorias, muitas delas bestiais, encontre um grandioso campo fértil para a sua propagação e que acaba sendo acolhidas por muitos e muitos, grandes e pequenos, ricos e pobres, etc. É muito fácil, muito bom e confortável acolhermos a imagem de um "deus-amor", que concede a liberdade não para que O amemos, mas para que possamos fazer tudo o que se pode fazer, principalmente, este "deus-amor" é contrário a repressão dos sentimentos desordenados, pelo contrário, é a imagem de um deus que antes incentiva tais desordens, já que este deus é a pura misericórdia, tudo e todos estão salvos, então comamos, bebamos e morramos depois. Para propagar este deus-amor, muitas vezes as pessoas, já confortavelmente envolvidas com este deus, gostam de contrastar o deus-amor de hoje com o Deus de nossos pais, ou seja, o Deus de nossos pais, o Deus que os nossos pais tiveram a virtude de nos ensinar desde o nosso berço, é um Deus de castigo, um Deus de rosto fechado, bravo, pronto a nos dar cachimbadas pelos nossos erros, então claro, o deus de nossa época é muito melhor que o Deus de nossos pais, pois não castiga, não cobra respostas inteligiveis ao dom da Fé, não nos ameaça com a perdição eterna do inferno...um deus praticamente hippie, que se possivel viria a terra para gandaiar conosco e conduzir a festa.

Deus não muda, mesmo que as nossas convêniências nos insitem a querer isso. Dizer que o Deus de nossos pais é diferente do deus de nossos tempos é dizer que deus somente existe pela nossa necessidade natural de crer e assim podemos então, ao invés de se abrir ao grande mistério divino, criamos o nosso deus, seja ele deus-amor, deus-paz, deus-justiça, dos pobres, do homossexualismo, fraternal, um deus escondido, irreconhecivel, e mais uma vez, etc.

Deus não muda e este Deus eterno e soberano, Todo-Poderoso, criador do Céu e da terra é sim um Deus de Amor, do Amor único, pois fora Dele não há amor verdadeiro, não há vida, não há nada que preste.
Reflitamos de forma demasiadamente simples sobre o amor. Amor é não querer que o mal aconteça a nós e a ninguém, para isso temos limites que muitas vezes so conseguimos suportá-los por Amor. Logo, este deus-amor não se encaixa, pois, em sua omissão permite que as pessoas se atolem até o pescoço com esta liberdade que conduz a ruina da pessoa humana, confundindo a individualidade da pessoa humana com o egoismo.

Por isso eu digo, que este deus-amor bonzinho ao ponto de nos fazer afundar na nossa própria miséria e de nos deleitarmos dela, deve ser tido como nada. Abra-se sim a Deus da Redenção, ao Deus que falou ao Povo de Israel, ao Deus que nos deixou por herança a sua própria obra que é a Santa Igreja, na qual se congrega todo o seu povo e que o conduz a presença deste Deus que é Amor, mas que também corrige aqueles que ama e castiga aqueles que tem por seus filhos.
Claro, ao disserem sobre Deus Amor verifique se ele é o Deus que a Igreja ensina(pois ela foi fundada por Ele e enviada a anunciá-la sem enganos até o fim dos tempos), se é o Deus da Bíblia, o Deus da Divina Revelação Cristã, completa e imperecível. Deus é Pai, é Amor é Vida. O Deus Verdadeiro.
Paz e Fé!
J.B.
Pro Catholica Societate
P.S:
1.Se quiser aprender um pouco mais sobre o amor, leia mesmo é a Enciclica Deus Caritas Est do nosso amado Papa Bento XVI, que seguindo as ordens de Cristo e fiel ao Santo Evangelho, nos ensina muito sobre o que é o verdadeiro Amor e aponta os erros da compreensão moderna do que é o amor.
2.Leia a Bíblia, ouça a Igreja!

quinta-feira, março 01, 2007

A Fé

Caros,


é bom sempre estarmos com o Cristo e manter uma fé viva e verdadeira, uma fé decidida, uma fé que não se baseia em sentimentalismos e nem em relativismos. A nossa Fé se torna testemunho quando tomamos uma decisão racional, baseada na fé, de seguir a Cristo. Não tratemos nunca a Fé como algo meramente fantasioso, distante, algo que necessite de nossa imaginação, não, muito pelo contrário, a Fé se mantém viva pelos testemunhos que recebemos e que devemos continuar passando, um testemunho que nos liga quase que fisicamente ao inicio de tudo, que nos liga muito proximos a pessoa do Nosso Senhor.

Não somos cegos que vivem de apalpadelas num caminho escuro e no qual podemos imaginar que é belo e florido mesmo pelo caminho não tenha flores, muito pelo contrário, recebemos a Fé, aprendemos a Fé, vivemos a Fé, amadurecemos a Fé e a transmitimos. Muitos dos que desistem não foram perseverantes na compreensão não dos mistérios, mas dos fatos que nos testifica e certifica da válidade da mesma.

Ninguém dos que dizem ter Fé podem dizer que tem Fé verdadeira caso esta não foi provada duramente, caso esta não se implumou de dúvidas e incertezas. Deus não tem medo da dúvida humana, pois Deus É e isso resume tudo. Pior que a dúvida é ter uma fé insensata, uma fé imaginária, tratar a religião como experiências fantasiosas e estritamente pessoais, isto é pior que a dúvida. A dúvida quando sincera, vem dilapidar a nossa compreensão de Deus, ela mesmo nos conduz para uma resposta definitiva da existência de Deus.

Falamos de Fé, dúvidas e sobre o fato de Deus existir, mas perguntam, que Deus é esse? Há aqueles que crêem em um Deus invísivel e intocável, um Deus incomunicável ao homem, há outros que já duvidam e apenas duvidam, há outros que dizem que não crêem e há aqueles que crêem em um Deus Conosco, um Deus próximo, um Deus tocante, um Deus que ouve e que ainda é chamado de Pai. Podem todos dizer que há que se respeitar os 3 resultados de nossas buscas, sem dúvida, por isso peço que respeitem o meu, não por pensarem que eu tenho o direito de me iludir com o que eu quiser, mas peço respeito pela compreensão a qual eu tenho de Deus, que é diferentes dos que professam um deus desconhecido e daqueles que não crêem.

Crer em um Deus próximo faz a Fé se tornar humana, natural, concebível. Não cremos em um Deus fantasiado, inexistente, cremos em um Deus que se fez homem, justamente para nos trazer esta certeza. Um Deus que ao partir deixa sinais visiveis, tocáveis para manter nós em nossa inconstancia sempre próximo Dele, para marcar a nossa Fé não como algo que precisamos imaginar, mas que possamos de fato tocar, receber, conceber pela razão humana.

Os Sacramentos, a Lei, são exemplos da proximidade de Deus por nós, mas onde queremos chegar, apenas no fato mais compreensível? Não, ousadamente vamos adiante, falemos da vinda do Espírito Santo sobre a Igreja. Chegamos então a questão que realmente válida a nossa Fé, estamos agora falando do Espírito Santo Paráclito, Ele que é Deus e Senhor, fonte de toda a Sabedoria. Saimos então da compreensão dos fatos de forma meramente racional e dentro de nossas limitadas capacidades, para entrarmos então no ponto fundamental, a Fé iluminada pelo Espírito Santo segundo a Graça que Deus nos permite e nos concede.

A Fé se parte somente da capacidade humana é inútil e se a Fé denpendesse somente do homem seria sim uma fantasia, mas não, a Fé é uma relação de Amor entre Deus e o homem, é uma disponibilidade inteligente que o homem possui para se relacionar com Deus, amá-LO e tornar-se temente a Ele. A Fé é um ato humano que o completa, que o preenche, que o realiza.

Resumindo: A fé não é um ato impróprio do homem, um ato impensado ou imposto, a fé verdadeira é um elemento natural do homem que o permite relacionar amorosamente com Deus.

Pax.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Confesso a vós...

Caros,

sempre é muito dificil abrir mão de nós mesmos, o tempo passa e nos tornamos sempre uma caricatura daquilo que queremos e nem sempre nos tornamos aquilo que queremos, passando a ser apenas o protótipo de alguma coisa que não significa nada, mesmo que haja as melhores das intenções. E pior, quanto melhores tentamos ser mais difícil desfazer do monstro que criamos em nós mesmos, um monstro de boas intenções, isso acontece umas vezes por falta de humildade ou por querermos darmos passadas longas demais rumo à virtude perdida ou desejada. Como desfazer dos bons caminhos que caminhei? Não, na verdade não foi um caminho trilhado, foi um caminho ambicionado, fruto dos desejos e vaidades, e quando paramos nos vemos no mesmo lugar de sempre, querendo correr desesperadamente para um futuro que desejamos ou para um passado promissor. Fujo disso, preciso fugir do que estou agora. Mas como? Convençam-me que estou errado? Não precisam me convencer, pois ninguém já se interessa pelo nada que eu fiz, tudo é exagero ou fantasia, mas confesso ser uma fantasia boa que desejaria que muitos ou pelo menos alguns experimentassem.

Me vejo só e parado. Curioso para saber como seria se meus pensamentos tivessesm obtido exito ou algum fruto pelo menos. Mas nada. Nada aconteceu e parecve que nada vai acontecer, queria recomeçar mas temeria recomeçar errado novamente, alias, não comecei errado, comecei impulsionado e convicto, o problema está na verdade é pelo meio do caminho, simplesmente adormeci e sonhei, acordava e queria voltar a sonhar e sonhar. Talvez meus sonhos fossem bons e estejam sendo anulados pelos sonhos dos outros, teria o mundo a ganhar ou a perder com um dia dos sonhos meus? Não sei, parece que eu mesmo perdi muito com isso tudo. Há um caminho que quis segui-lo, quis sonhá-lo e convertê-lo em realidade, mas o que me acontece é confusão e um certo desânimo. a vaidade não tem me permitido me reduzir, me fazer pequeno e inútil, ser o último, servir aos que devem servir.

Meus sonhos me tornaram um sujeito que gostaria de exigir respeito por tudo que sonhei, por tudo que pensei, mas sou tímido demais para cobrar as coisas, ainda bem, ainda bem. Se a árvore é boa dará bons frutos, mas que frutos tenho dado a não ser nenhum? Uma árvore estéril, infértil, isso que me tornei pela ociosidade de meus sonhos e pensamentos. No que posso ajudar? Qual a minha mínima utilidade ao próximo? Nenhuma.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Tudo ao seu tempo: Fantasias sobre a Igreja Primitiva

Caros Irmãos,

Saudações em Cristo Jesus, confiemo-nos eternamente às suas mãos misericordiosas.

Quando lemos os acontecimentos bíblicos que envolvem os primeiros cristãos e as suas primeiras comunidades, criamos em mente uma definição perfeita de Igreja, vemos um heroísmo maravilhosamente inspirado na confiança do Senhor. O que fazia acontecer tamanha afinidade entre os primeiros cristãos e Deus? A honestidade no crer e a plena confiança em tudo que havia acontecido há pouco tempo, Deus havia se encarnado. Grande loucura a dos primeiros cristãos, desafiaram tudo e todos, não se apegaram demasiadamente a razão e souberam viver a Fé de forma viva, viviam a intimidade com o Ressucitado. Se pensarmos profundamente naqueles tempos e trazermos tudo isso aos dias de hoje, veremos que estamos apaixonados por aqueles primeiros cristãos, mas as nossas convicções pessoais não nos ligam e nem nos deixam estarmos próximos deles. Enquanto os primeiros cristãos desafiaram toda a lógica ao crer em um Deus que se fez homem e que pelos homens morreu, hoje somos extremamente racionais em nossas convicções e essa não nos permite viver o fervor dos primeiros cristãos e nem nos permite nos entregar a uma perfeita intimidade com o mesmo Senhor, Filho de Deus, encarnado no ventre de uma Virgem, que viveu como nós e por nós morreu pendurado numa cruz dolorosa, mas que no terceiro dia ressucitou e depois subiu aos céus e hoje está sentado a direita de Deus Pai. Da mesma forma que se encontra o Cristo na Igreja primitiva encontra-se ainda nos dias de hoje, mas nós somos extremamente cautelosos a nos entregar a Ele. Devido a essa cautela, com um racionalismo(dado pelo próprio Senhor para que soubessemos buscar a verdade em nossas limitações) temos uma grande afeição àqueles homens desafiadores dos primeiros tempos do Cristianismo.

A loucura daqueles homens entregues totalmente a Deus e ao seu mistério refletem em nós mesmos nas nossas deficiências e dificuldades. Para eles não existia uma realidade virtual, necessidades exageradas, em tudo colocavam o Senhor e a sua Palavra em primeiro lugar. E hoje nós somos apegados, buscamos sempre o mínimo de segurança futura, já não conseguimos enxergar a verdadeira caridade existente nos primeiros tempos, queremos, mas não conseguimos obtê-la por nossa própria liberdade de escolha, que sempre se acomoda no minimo de conforto, do qual pensando ser sempre o minimo necessário, não abrimos mãos.

"A multidão de fiéis era um só oração e uma só alma.Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum.(At 4,32)" "Assim as igrejas eram confirmadas na fé, e cresciam em número dia a dia.(At 16,5)"

Grandes erros foram causados pela interpretação ficcional destes dois versículos citados e de outros com o mesmo contexto. Muitos homens conseguiram com eloqüentes pregações que a Igreja precisaria voltar a viver como as primeiras comunidades cristãs. Mas vemos no fundo que essa interpretação não convém nem a nós e nem a comunidade dos primeiros cristãos, a resposta mais certa seria que nós devemos estar íntimos do Senhor como aqueles homens naquelas comunidades.

Quando nos optamos pela forma daquelas comunidades acabamos por caricaturizar o cristianismo e esquecemos o ponto principal e vivo, o que tornava aquelas comunidades vivas era uma verdadeira adesão aos mistérios de nossa Fé, que é a mesma Fé daqueles homens e mulheres.

Não falta exemplos de pretensos reformalistas que partem deste pressuposto, e talvez o maior deles seja Lutero, com suas idéias reformistas, que lançou com tanta força a idéia de voltarmos aos moldes primitivos da Igreja e suas comunidades que acabou por alterar a Doutrina dos Apóstolos e causou a divisão dos fiéis, algo muito combatido naquelas mesmas comunidades, que não eram perfeitas, e nelas existiam tantos problemas quanto os dias de hoje.

A diferença que hoje direta ou indiretemante muitas pessoas conhecem a história de Cristo, muitos aceitam de forma semelhante a daqueles homens e outras tem dúvidas ou se sentem indiferentes, mas naquela época era mais dificil, pois era a novidade da redenção dos homens, tinham que se expor muito para pregar a redenção aos homens, que veio ao mundo por vontade de Deus Pai, concebido por obra do Espírito Santo(o mesmo que falou pelos profetas) no seio da Virgem Maria, nasceu em Belém, numa manjedoura, seu pai protetor chamava-se José, e o nome do menino era Jesus, conhecido como Jesus de Nazaré, "era um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo mundo"(Lc 24, 19). Ele revelou todas a coisas do Pai e nos trouxe a Salvação eterna, que só se dá por meio Dele, pois foi fiel até a morte de Cruz e ressucitou ao terceiro dia e subiu aos céus, onde está assentado a direita do Pai.

Vemos uma decidida Fé naqueles homens que não é comum nos dias de hoje, muitas vezes porque uma das nossas principais características no dia de hoje seja a necessitade de relativisar a verdade, isso é, sermos menos intimos de nós mesmos para não sermos diferentes dos que não crêem, os que não crêem hoje em dia possui um privilégio, pois tem suas convicções respeitadas , enquanto os que crêem no Cristo e na Verdade possui suas limitações.

As mesmas ou semelhantes limitações que tinham os apóstolos e os disicpulos das comunidades primitivas. Mas nós exaltamos muito a coragem daqueles tempos para justificar a nossa falta de coragem nos dias dias de hoje. Reconhecer o mesmo Cristo e ter a mesma Fé dos primeiros tempos, essa é a atitude que devemos ter, e não copiar as formas, que serão fadadas a esterilidade.

Quais os nossos desafios de hoje? Qual a nossa coragem? Qual é a nossa Fé? Qual é a sinceridade de nossa Fé? Qual a nossa relação de amor com o mesmo Cristo das primeiras comunidades e que é o mesmo Cristo dos dias de hoje? São questões que devemos nos aprofundar pessoalmente, para que se criem comunidades ligadas a Fé e a Verdade. As comunidades eram constituídas e construídas por homens e mulheres, discípulos de Cristo, mas quem edificava e edifica é Deus. As pessoas não eram arrastadas por propósitos revolucionários, mas por adesão a verdade pela Fé em Cristo.

Hoje ainda, pela sabedoria de Cristo que sabia que as dificuldades tanto daqueles tempos quanto as dificuldades de hoje seriam as mesmas soube preparar o Caminho para que o homem em sua insignificância e insconstância permanecesse Nele e Ele em nós, isso é perfeitamente refletido na Santa Igreja Católica Apostólica Romana, com seu Sagrado Magistério e na autoridade dos Bispos, nos Sacramentos, na Santa Missa, nos Livros do Santo Evangelho, na Sagrada Tradição, na pessoa do Papa que é simbolo de unidade daqueles que com Cristo, por Cristo e em Cristo se congregam.

Os mesmos recursos dados aos primeiros discipulos nos são dados igualmente nos dias de hoje, basta termos e vivermos com a mesma fé, com o mesmo coração e com o com a mesma alma que viviam aqueles primeiros cristãos, não precisamos copiar as mesmas dificuldades e características comunitárias dos primeiros tempos, pois as temos nos dias atuais, as dificuldades e os recursos que eles tinham também temos ainda hoje. Ser cristão é sempre desafiar a si mesmo, conhecer a si mesmo e a nossa dignidade de Filhos de Deus em qualquer tempo.

"Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus(Ecl 3,1)."

Devemos ter um sério cuidado com aqueles que propõe a voltar aos tempos da Igreja Primitiva e de forma semelhante viver. A propósta sempre parece ser cativante desde o primeiro momento, mas a cada tempo a sua dificuldade, a cada dia seu próprio bem e o próprio mal. A idéia romântica vem justamente por não querer ser cristão nos desafios de hoje e achar que os desafios já vencidos eram mais nobres, mais fáceis dos que os desafios nossos. O desafio vencido pelos outros é exemplo que temos dos nossos próprios desafios, não significa que teremos que roubar os desafios vencidos outrora para recerbemos o mesmo galardão que o Senhor concede aos seus Santos.

Hoje em dia vemos mais linhas usando a mesma argumentação, pregando a divisão(mesmo que imposta) de bens particulares, baseando-se nos primeiros versículos citados neste texto. Voltar aos tempos da Igreja Primitiva, sugerindo que a Igreja Católica Apostólica Romana tenha se desviado do caminho, mas esquecem que quem nos oferece os mesmos recursos confiados aos primeiros discipulos é justamente a Igreja a qual eles apisinham violentamente.

Esquecem que o importante é termos a mesma Fé, mas isso não importa, aliás, há pessoas que pregam um comunismo "cristão" onde o que importa são os bens materiais em comum e o conforto, dissipam desse cenário a Cruz e o que menos importa a esse tipo de pensamento é a Fé e muito menos a Fé na Igreja de Cristo. Infelizmente, estes argumentos ainda mexem com o imaginário das pessoas, que adotam um pensamento contrastante com a atualidade em que vivem, como eu disse, talvez mais para arrumar argumentos e fugir das verdadeiras obrigações de cristãos do que viver a Fé, a mesma ontém, hoje e amanhã.

"Todas essas coisas se regozijam com as ordens do Senhor, e mantêm-se prontas sobre a terra para servir oportunamente, e, chegando o tempo, não omitirão uma só de suas palavras. Por isso, desde o princípio estou firme em minhas idéias; refleti e as escrevi. Todas as obras do Senhor são boas; ele põe cada coisa em prática quando chega o tempo. Não há razão para dizer: Isto é pior do que aquilo, porque todas as coisas serão achadas boas a seu tempo. E agora, de todo o coração e com a boca, cantai e bendizei o nome do Senhor!(Eclo 39, 37, 41)"

É bem verdade que o Papel da Igreja também se fundamento no serviço e na Caridade, e não deve ser objeto de propriedade particular de grupos, mas sim de toda a Igreja, ajudar os mais pobres, atendê-los em suas necessiadades mais urgentes, promover a justiça com justiça e caridade, nunca com revoluções ou cismas.

Não sejamos inocentes levados pelo vento das ideologias humanas, nos apeguemos à Arvore e nela produzamos com Fé os frutos de justiça e de paz.

"Faze crescer a tua vontade em nós, a fim de que encontremos o caminho da verdadeira liberdade, a fim de que todos nós caminhemos para Ti. Seja feita a tua vontade na terra como no céu, 'a fim de que dela seja banido todo erro, nela reine a verdade, o vício seja destruído, a virtude floresça novamente, e que a terra não mais seja diferente do céu." São João Crisóstomo