quinta-feira, julho 24, 2014

Sou Poeta

Eu sou poeta

Se eu não fosse poeta, me obrigaria a sê-lo.
Mas eu sou, logo, não me obrigo a isso.
Não sou poeta por ser melhor,
Sou poeta por me ser doce pescar palavras.

quarta-feira, julho 23, 2014

É tempo de viver

Um homem havia perdido anos de sua vida, sem sair do lugar, passavam dias e noites e ele meditava sobre a vida, mas a vida passava constantemente pela sua janela e ele não a percebia, pois somente vivia para meditá-la. Em sua velha casinha em um bairro de uma cidade que ia crescendo dia-a-dia, construiu-se prédios, pontes, viadutos, templos, escolas, hospitais, as pessoas nasciam, cresciam e morriam e este senhor não se dava conta disso. Um dia, ele ao pensar na vida em sua casa, teve um raciocínio quase que fatal, sentiu-se envolto de uma vida vazia, de uma vida sem vida, sentiu-se como se estivesse em coma há anos e nada fazia sentido, não pensou em nada, pensou somente que a vida que ele procurara tanta iluminação ficou apenas um tenebroso vale de sombras, insosso, inexistente.

Pensou em sair de casa, como prestes a morrer por não ter encontrado em si o sentido de sua própria vida. Pegou o velho guarda-chuvas no qual acumulara bastante pó e nunca havia visto água, fazia sol lá fora, mas ele quis levar o guarda-chuvas como uma segurança a mais, em meio ao mundo que julgara desgovernado, caótico.

Ao sair, viu crianças indo para a escola e elas conversavam entre si, viu um policial prestando informações a um viajante que estava na cidade, viu a banca de jornais estampando revistas coloridas, viu moças e rapazes bem vestidos indo para os seus trabalhos. Viu um carrinho de nenem, olhou para a criança e a criança gratuitamente lhe sorriu e ele sorriu para a criança como que num impulso, nada pensado. Continuou a caminhar em meios as cores que o sol lhe trazia, somente estas pequenas coisas faziam mais sentido do que tudo o que antes ele havia pensado.

Havia pensado em um mundo sem cores, sem amor, desiludido com a sua própria obrigação de existir. Sim, o mundo também era isso, ele lembra disso, mas viu que a vida deu os seus jeitos, que a vida seguiu os seus caminhos, que em meio a vias tortuosas ela transitou e chegou radiante e linda ao dia de hoje, com sinais claros de seu vigor e força.

As teorias de nada serviam para provar nada, pensou ele consigo, se não houver movimento, cores, brisas, passeios e pedestres e principalmente se não houver uma persistente esperança no momento presente, no hoje e no agora.

Pensou que era tempo de correr, mas desistiu, era simplesmente o tempo de viver, de respirar da mesma forma que o mais rico homem do mundo e o mais miserável deles respiram, é tempo de dar um primeiro passo, sem olhar para trás e de crer ainda, um pouco mais na vida, amá-la, respeitá-la, nos momentos oportunos e inoportunos.

Ao anoitecer, ainda radiante com a vida cheia de cores, sons (e ruídos também), ele viu que tudo foi se esvaindo, que as pessoas sumiram das ruas e foram para as suas casas, até os bares noturno mais insistentes ele viu fechar, aprofundou-se no silêncio percebeu que havia perdido muito tempo, mas não quis teorias mais, quis sentir um pouco mais da vida que havia perdido e agora começa a recuperá-la.

Foi para a casa, antes de entrar, viu-a como um mausoléu, escura, abandonada, ainda fechada, sem cor, sem som, sem movimento. Entrou e desejou logo ir deitar-se e relembrar tudo o que havia visto, ouvido, tocado, mas não, pensou em arrumar a própria casa, tirar dela o pó, mudar os móveis de lugar, pensou até mesmo em ligar a velha vitrola com os velhos discos que há muito não mais ouvia e assim o fez, o fez de forma cautelar, para não atrapalhar a vida dos que dormiam.

Nas arrumações percebeu que havia perdido o seu guarda-chuva e riu disso, disse que para viver as vezes é também necessários correr riscos, grandes ou pequenos como perder um guarda-chuva velho.

Sentou-se e esperou o dia amanhecer e como num ato penitencial, decidiu não dormir, apesar de sentir-se cansado, pois havia passado a noite acordado e espirrando, devido aos fungos de toda a sua vida pregressa.

Ao sair o sol, saiu para a rua, tomou um um café na padaria e viu as pessoas conversando e percebeu que elas nem se conheciam, mas trocavam informações sobre futebol (lembrou ele que torcia para um time também) e perguntou sobre como o seu time havia ido no campeonato e disseram que quase foi campeão e que tinha bons jogadores. Tomou o café, despediu-se de suas amizades relâmpagos e foi caminhar.

De todas as construções ele viu que a mais bela ainda era a antiga Igreja do bairro, foi lá ver ela por dentro, viu a imagem do Cristo na Cruz e lembrou que ela estava lá quando ainda era criança. Aquela imagem fulminou-o por alguns segundos, sentiu-se que o amor era insistente pois o valor dos sacrifícios são também insistentes.

Pax et Fides!

João Batista Passos

O desejo de ser desejado

A alegria do ser humano constitui em um único elemento e este elemento é a forma com que se entrega ao amor de Deus. Entregar-se abertamente e de forma livre, entregar-se por querer entregar-se, por desejo expresso por atos de vontade.

Deus supera todas as nossas expectativas, Deus supre em nosso ser todas as necessidades, Deus nos ama e nos deseja.

Há um tempo, já há um bom tempo pensei em uma necessidade humana, que é o desejo de ser desejado. Todos nós temos este desejo e o praticamos das mais variadas formas, as vezes chegamos a sermos mesquinhos e absurdos ao intentar suprir em nós tal demanda, que é natural, porém, que não se apetece facilmente, antes estimula repetidas vezes os mesmos sentidos, sentimentos a ponto de beirar ou transformar-se em vícios que deformam a identidade de ser humano.

Porém, este desejo de ser desejado é natural, e é real que assim seja, pois quando fomos criados por Deus a sua imagem e semelhança, Deus nos amou de tal forma e imprimiu em nós também traços deste amor insondável, resumindo, Deus nos deixou claro que Ele nos ama tão ardentemente ao ponto de nos desejar, de pensar em nós e em cada um de nós, sempre (poderia dizer aqui que Deus pensa em nós em nosso dia e em nossa noite) e Ele nos quer em absoluto dar-nos respostas com este amor com que Ele nos criou e nos deseja.

Quando sentimos a presença de Deus nos mais simples gestos de abertura a sua vontade, sentimo-nos realizados de maneira real e concreta, não porque recebemos nestes atos algo em troca que nos seja visível ou palpável, mas que em nosso mais íntimo tem-se esta sensação de uma enorme e indescritível felicidade.

Quando eu penso nestas palavras e as pensei muito antes de escrever (penso nisso há alguns anos), e evitei de escrevê-las de qualquer forma (mas que de qualquer forma precisava escrevê-las e assim o faço de maneira simples), logo me dirijo ao que nos disse Santo Agostinho sobre isso:
"Fizeste-nos para Ti e inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Ti."
Também, talvez, me faça compreender uma oração de Santa Teresa D´Avila:
Nada te perturbe, Nada te espante,Tudo passa, Deus não muda,A paciência tudo alcança;Quem a Deus tem, Nada lhe falta: Só Deus basta. 
Todos os nossos desejos, os mais secretos, os mais discretos, os mais íntimos ou os mais assumidos se resume em um, o de desejar o desejo de Deus por nós. Nesta compreensão assumimos a nossa identidade própria, pois diante do olhar de Deus nos compreendemos melhor, sabemos o quanto somos amados, sabemos o quanto Deus nos fez felizes e felizes mesmo.

O mundo, na tentativa de eliminar ou banalizar a presença de Deus, faz com que as pessoas descuidem disso, deste sentimento que lhes é próprio, mas que passam a "completar-se" ou a realizar-se pelas coisas que não lhes são sequer inerentes a sua natureza, mesmo que intimamente alarmadas pelo íntimo do consciente, tem se entregado cada dia mais a uma deformação sem limites da personalidade, degenera o sentido da pessoa humana, de si mesmo e da própria identidade e passa a se sobrepor tais desejos (fast-wishes) a vida humana e à própria vida.

Buscarão e não encontrarão, viverão uma vida sem vida, uma vida com repentinos momentos de realizações, muitas vezes necessariamente absurdos e extravagantes, mas que precisam ser repetidas, pois não se realiza o sentimento de ser desejado com amor, com o amor que só Deus tem por nós, por aquele amor que nos eleva, nos constrói, nos faz bem.

Só Deus basta e o nosso coração não repousará enquanto não sentirmos o quanto somos amados e desejados e o quanto este amor nos preenche substancialmente.

Pax et Fides!

João Batista Passos


segunda-feira, junho 16, 2014

Auto-referências e Referências

Quando o homem se perde com relação as verdades do mundo, há tanto tempo ensinadas por nossos pais, avós, pela Igreja, ele se desgoverna, perde a sua referência por achar que ele em si é a referência de tudo, a auto-referência é um erro que tem contaminado o mundo todo.

Ter-se como auto-referência é algo que nos esvazia intensamente e sendo assim, buscaremos procurar qualquer coisa que nos "preencha" o vazio, que satisfaça por pelo menos uns instantes o sentido de viver que se perdeu, ou até mesmo, já não mais importaremos com os parâmetros que nos deveriam ser os mais caros, a vida e a morte.

Já não se quer viver muito mais, a vida se torna sofrida, arrastada, tudo porque nos esquecemos da nossa posição no mundo e que as nossas referências devem ser o próximo, a família, a Igreja, a cidade, a sociedade e sobretudo, de maneira especial, Deus.

Abandona-se todas as referência, todas as medidas que nos forjam como nós mesmos, não somos mais presença de um todo, somos um quase nada querendo que o todo gire em torno da gente. E isso nos é mortal.

Somos feitos a imagem e semelhança de Deus e Deus se fez um de nós e é isto que é referência, o resto é parte de um complexo que se origina do coração de Deus, como eu disse acima, o nosso próximo, a família, a Igreja, a sociedade e claro que não vamos esquecer da gente mesmo neste admirável complexo do qual fazemos parte.

Esquecemos facilmente que o nosso ideal não é fazer o que brota do fundo do nosso coração egoísta, mas que a felicidade é fazer tudo aquilo que brota do coração de Deus e não há recompensa maior, mesmo que precisamos matar em nós, a duros e difíceis golpes o nosso egoísmo, a inveja, as nossas mentiras, a nossa auto-referencialidade. Não é fácil fazer-se "eunuco" pelas coisas de Deus, não é fácil pensar que devemos "morrer para nós mesmos para viver eternamente". Há uma certa dor na morte dos nossos impulsos, há uma certa dor porque somos demasiadamente inseguros e buscamos seguranças frágeis e tememos por abrir mão delas. Agarramo-nos em qualquer galho seco que se nos aparenta segurança. Mas com certeza iremos cair e esborrachar no chão, morreremos um morte involuntária.

Se nos esquecemos da referência da vida e da morte (no sentido amplo) ou no sentido da nossa vida e da nossa morte, nos esquecemos que a vida nos dá diariamente, várias vezes ao dia, chances de mudar os rumos, de querer fazer o certo, de abandonar os erros, os vícios. Mas a morte não, a morte não da chances e quando ela chega é irrevogável, pelo menos no presente momento. Se nos esquecemos disso, esqueceremos do quanto podemos mudar a nossa vida, o quanto podemos nos realocar naquele complexo de coisas que nos forjam, que nos formam, que faz de cada um de nós mais cada um de nós.

Não nos esqueçamos das referências desta vida, ou seja da vida e da morte, da família, do nosso próximo, de nós mesmos neste ambiente e não esqueçamos de Deus, que tem a primazia de toda a nossa referência, pois Deus é amor e todo amor brota do coração Dele e se quisermos, este amor invadirá o nosso coração, pequenino vaso com uma grande poção mágica, o amor a ser doado, multiplicado...

Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á. (São Mateus 10, 39)

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

O humanismo não é humano

O humanismo não é humano, constatou alguns pensadores da metade do século XX, eu prefiro o termo que o humanismo é desumano. Adotar crianças é uma prática não muito querida pelos humanistas dos direitos humanos, preferem apoiar a prática do aborto como meio de controle social, sobretudo das classes mais pobres... os direitos humanos já nascem mortos, e isso não é humano e nem direito. Adotar é uma medida de amor sim, mas melhor do que isso é investir na estrutura da Família e em suas características mais peculiares... Pai, Mãe, Filhos, Netos... mas isso, para muitos esquerdistas é uma estrutura "patriarcal, machista, opressora, degradante, retrógrada e ultrapassada..." então, prefere-se defender a justiça com a nova mentalidade materialista, que segundo eles é livre, espontânea, libertária e etc. A Família em sua formação natural não é algo querido pelos direitos humanos... estou correto?
Desde que se descobriu a questão da revolução cultural socialista, na qual onde não se se perdesse os valores culturais, sociais, históricos e até religiosos de um país do ocidente, a implantação do marxismo não seria possível, os partidos, a elite do pensamento marxista transferiu a revolta armada para a própria população, que assumindo as armas em punho, ganharam quase que o direito de roubarem, matarem, sequestrarem, atentando sempre com as estruturas e hierarquias sociais... resultado... os maiores indices de crimininalidade do mundo, sangue jorrando a milhares de litros todos os anos e tudo isso muito, muito banalizado... O ciclo do pensamento humanista dos direitos humanos é tão pequeno e por isso se torna rapidamente vicioso e leva o homem a uma espécie de loucura, onde tudo e todos se encerram em um ciclo rápido... isso não é humano e isso não é direito. Como pensar em uma justiça baseada inicialmente no direito a violência, no direito ao delito, no direito aos vícios... como pensar na sequencia destes jovens que sentindo-se amparados pelos seus direitos humanos (a frase é verdadeira, deveria se chamar direitos dos manos) e que a cada dia se sente mais atraído por esta vida de guerrilha, esta vida de vícios, esta vida de total irresponsabilidade para com a Família ou a total ausência de compromisso com o que resta dela?! Esta mentalidade de justiça, baseada na revolta armada de jovens somente os expõe a uma vida perdida, há uma vida desperdiçada... ninguém, absolutamente ninguém que pensa a nova engenharia social defende os direitos básicos das Famílias... inclusive o direito de educar os filhos... que cada dia mais se transfere para as mãos do estado plenipotenciário. Qualquer sociedade no mundo pode viver ou sobreviver sem ONGs, sem comissões de direitos humanos (que só olha um dos lados... portanto, uma organização injusta naturalmente)...mas nenhuma sociedade pode viver ou sobreviver sem a sociedade Familiar... no nosso caso, baseada em príncipios que reconhecemos como verdadeiros e morais... não tenho como defender nada e nenhum assunto de aspecto social que não defenda preliminarmente o respeito e a promoção da Família... E o que vemos: facilitação de todos os rompimentos de laços afetivos, consanguíneos, familiares... quais resultados observamos: jovens sem estrutura familiar, sem educação (ter filho hoje é uma ameaça a nova engenharia social), sem respeito (sem dar e sem receber...). Bom, como sempre, desculpe-me por toar de seu tempo... mas sempre tenho em mente a frase do meu avô João Neca: No Comunismo não há pai para filho e nem filho para pai... E é o que estamos vendo... jovens tendo que desperdiçarem as suas vidas por vários caminhos obscuros e muitas vezes sem retorno...

Isso não é humano e isso não é direito!

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Recepção na Militia Sanctae Mariae

Recepção de escudeiros-donatos
Recepção dos Primeiros Escudeiros-Donatos no Brasil
Paróquia Santa Generosa - São Paulo - SP
Iniciamos o relato de alguns detalhes em um tempo que antecede a própria recepção e que mostra que eu e todos os demais membros da Militia Sanctae Mariae no Brasil encontram-se em dívidas com a Nossa Suserana, que mostrou aos seus servos pequeninos a sua face e a sua terna proteção maternal.

A recepção teve diversos contra-tempos, desde a definição de datas, locais, pessoas envolvidas e os hábitos. O tempo ia passando e detalhes necessários pareciam não se resolverem. Não tínhamos um local para nos reunirmos, não tínhamos em definitivo um Sacerdote que acolhesse e atuasse a MSM e seus membros da maneira como se deveria, não tínhamos uma Igreja para sermos acolhidos, não tinhamos os modelos dos hábitos, não tínhamos quem assumisse esta responsabilidade, pois no Brasil, ninguém ainda conhecia um hábito de Freire ou de Escudeiro. Nos mantemos em trabalho, pensando, pedindo e confiando tudo nas mãos de Nossa Senhora.

Após encontros de alguns membros da MSM no Brasil com um Sacerdote, que mais tarde lhe citarei, os caminhos da Militia começaram a se abrir e tudo começou a se encaminhar, ou seja, sinal de que a Militia Sanctae Mariae tem o seu habitat dentro da Igreja e só por meio dela e nela e para ela é que tudo poderia acontecer e a partir de então, marcadamente, após a conversa com o Sacerdote e após a conversa informal com o Cardeal de São Paulo, na qual fora apresentada a MSM e seus ideais cristãos na Terra de Santa Cruz, que aliás, encontrou naquele breve momento informal com a simpatia pessoal do Cardeal. A partir destes dois pontos, sempre pautados em gestos de vontade e de liberdade por parte dos membros da MSM, a Divina Providência e Providência Maternal de Maria, Mãe do Redentor, começaram a agir com grande gratuidade e por isso e em tudo, rendemos louvores a Deus e sentimo-nos ainda mais, obrigatoriamente (não pela obrigação em si, pois desejamos fazer tudo com amor e liberdade, como forma de retribuição e de serventia) compromissados nos serviços que iriamos receber.

Tudo se encaminhou, a MSM no Brasil começava o seu caminho. Poderíamos pensar que o caminho havia começado há um tempo atrás, quando os primeiros servos de Nossa Senhora foram consagrados através da MSM. Não. Até então, os membros da MSM trabalharam para quererem, para demonstrarem atos de vontade e de prepararem esta caminhada, como num período de escuta, de discernimento, de preparação, de perguntas feitas com sinceridade e respostas dadas com convicções.

Todos os pontos que pareciam difíceis, travados, foram desfeitos, as vias estavam prontas para a nossa caminhada.

Os hábitos, que até então não tinha ninguém que os confeccionassem por não se terem modelos prontos, foram confeccionados em uma cidadezinha do interior de Minas Gerais, tarefa acompanhada de perto por Nossa Senhora, que nas palavras da costureira, Dona Nora, "fazer estes hábitos foi uma grande graça".

Pela graça de Deus, podemos conhecer e conversar com os Sacerdotes da Paróquia Santa Cecília, em especial o Cônego Alfredo, que nos receberam com grande gratuidade no Salão Nobre da Paróquia, com o qual, a Milícia de Santa Maria estabeleceu imediatos sentimentos de afeto e de agradecimento.

O Sacerdote que relatei no início, que nos dirigiu como proceder e assim, desde aqueles conselhos nos abençoou, foi o Padre Fábio Fernandes, que nos recebeu prontamente e de maneira muito carinhosa na Paróquia Santa Generosa e nos solicitou que empreendemos um combate dotado de uma santa intransigência com relação ao pecado. Não temos em absoluto palavras para agradecer a abertura das portas da Igreja Santa Generosa, que não deixa de ser a alusão perfeita de que a Milícia de Santa Maria no Brasil entra pelas Portas da Igreja Católica e a nela inicia os seu caminhar, os seus serviços, a sua peregrinação e a sua missão, para alargar cá embaixo as fronteiras do Reino de Deus.

É preciso dizer também, do grande espírito de cordialidade e fraternidade destes dias. Pessoas que na maioria dos casos se encontraram pessoalmente pela primeira vez, com aquela sensação exata de se conhecerem há muito tempo, demonstrando claramente que a fraternidade em Cristo nos une, nos aproxima e nos fazem irmãos, transparecendo assim, que a única e verdadeira forma de se estabelecer uma fraternidade universal entre as pessoas é por meio de Cristo, de sua Igreja e da presença materna da Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe.

Não podemos concluir esta pequena lauda, sem falar da extraordinária figura de nosso Provincial, o sr. Carlos Aguiar, que não mediu esforços para estar conosco, e ao cruzar o Atlântico, nos alegrou trazendo toda a genes da Militia Sanctae Mariae, um encontro essencialmente fundamental para a MSM Brasil, pois pode nos transmitir com grande fecundidade carga de Fé, Sabedoria e Militância enraizadas na Fé Católica da Militia. Deus o recompense pela enorme generosidade para com os membros da MSM Brasil.

Somos gratos a todas as pessoas que nos auxiliaram, que confiaram em nós e na proposta de vida regular e militante (Ora et Labora) da Militia Sanctae Mariae.

Pax et Fides!

João Batista Passos
Escudeiro Donato
Militia Sanctae Mariae


sábado, fevereiro 01, 2014

Recebido como Escudeiro-Donato

Recepção na Militia Sanctae Mariae
Recepção como Escudeiro Donato, no dia 01 de fevereiro de 2014, em São Paulo
Paróquia de Santa Generosa - Com Provincial Carlos Aguiar.

Por João Batista Passos
Escudeiro Donato
Militia Sanctae Mariae
Iniciamos o relato de alguns detalhes em um tempo que antecede a própria recepção e que mostra que eu e todos os demais membros da Militia Sanctae Mariae no Brasil encontram-se em dívidas com a Nossa Suserana, que mostrou aos seus servos pequeninos a sua face e a sua terna proteção maternal.
A recepção teve diversos contra-tempos, desde a definição de datas, locais, pessoas envolvidas e os hábitos. O tempo ia passando e detalhes necessários pareciam não se resolverem. Não tínhamos um local para nos reunirmos, não tínhamos em definitivo um Sacerdote que acolhesse e atuasse a MSM e seus membros da maneira como se deveria, não tínhamos uma Igreja para sermos acolhidos, não tinhamos os modelos dos hábitos, não tínhamos quem assumisse esta responsabilidade, pois no Brasil, ninguém ainda conhecia um hábito de Freire ou de Escudeiro. Nos mantemos em trabalho, pensando, pedindo e confiando tudo nas mãos de Nossa Senhora.
Após encontros de alguns membros da MSM no Brasil com um Sacerdote, que mais tarde lhe citarei, os caminhos da Militia começaram a se abrir e tudo começou a se encaminhar, ou seja, sinal de que a Militia Sanctae Mariae tem o seu habitat dentro da Igreja e só por meio dela e nela e para ela é que tudo poderia acontecer e a partir de então, marcadamente, após a conversa com o Sacerdote e após a conversa informal com o Cardeal de São Paulo, na qual fora apresentada a MSM e seus ideais cristãos na Terra de Santa Cruz, que aliás, encontrou naquele breve momento informal com a simpatia pessoal do Cardeal. A partir destes dois pontos, sempre pautados em gestos de vontade e de liberdade por parte dos membros da MSM, a Divina Providência e Providência Maternal de Maria, Mãe do Redentor, começaram a agir com grande gratuidade e por isso e em tudo, rendemos louvores a Deus e sentimo-nos ainda mais, obrigatoriamente (não pela obrigação em si, pois desejamos fazer tudo com amor e liberdade, como forma de retribuição e de serventia) compromissados nos serviços que iriamos receber.
Tudo se encaminhou, a MSM no Brasil começava o seu caminho. Poderíamos pensar que o caminho havia começado há um tempo atrás, quando os primeiros servos de Nossa Senhora foram consagrados através da MSM. Não. Até então, os membros da MSM trabalharam para quererem, para demonstrarem atos de vontade e de prepararem esta caminhada, como num período de escuta, de discernimento, de preparação, de perguntas feitas com sinceridade e respostas dadas com convicções.
Todos os pontos que pareciam difíceis, travados, foram desfeitos, as vias estavam prontas para a nossa caminhada.
Os hábitos, que até então não tinha ninguém que os confeccionassem por não se terem modelos prontos, foram confeccionados em uma cidadezinha do interior de Minas Gerais, tarefa acompanhada de perto por Nossa Senhora, que nas palavras da costureira, Dona Nora, “fazer estes hábitos foi uma grande graça”.
Pela graça de Deus, podemos conhecer e conversar com os Sacerdotes da Paróquia Santa Cecília, em especial o Cônego Alfredo, que nos receberam com grande gratuidade no Salão Nobre da Paróquia, com o qual, a Milícia de Santa Maria estabeleceu imediatos sentimentos de afeto e de agradecimento.
Recepção na Militia Sanctae Mariae
Colóquio no Salão Nobre
O Sacerdote que relatei no início, que nos dirigiu como proceder e assim, desde aqueles conselhos nos abençoou, foi o Padre Fábio Fernandes, que nos recebeu prontamente e de maneira muito carinhosa na Paróquia Santa Generosa e nos solicitou que empreendemos um combate dotado de uma santa intransigência com relação ao pecado. Não temos em absoluto palavras para agradecer a abertura das portas da Igreja Santa Generosa, que não deixa de ser a alusão perfeita de que a Milícia de Santa Maria no Brasil entra pelas Portas da Igreja Católica e a nela inicia os seu caminhar, os seus serviços, a sua peregrinação e a sua missão, para alargar cá embaixo as fronteiras do Reino de Deus.
É preciso dizer também, do grande espírito de cordialidade e fraternidade destes dias. Pessoas que na maioria dos casos se encontraram pessoalmente pela primeira vez, com aquela sensação exata de se conhecerem há muito tempo, demonstrando claramente que a fraternidade em Cristo nos une, nos aproxima e nos fazem irmãos, transparecendo assim, que a única e verdadeira forma de se estabelecer uma fraternidade universal entre as pessoas é por meio de Cristo, de sua Igreja e da presença materna da Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe.
Recepção do escudeiro João Batista
Recepção do escudeiro João Batista
Não podemos concluir esta pequena lauda, sem falar da extraordinária figura de nosso Provincial, o sr. Carlos Aguiar, que não mediu esforços para estar conosco, e ao cruzar o Atlântico, nos alegrou trazendo toda a genes da Militia Sanctae Mariae, um encontro essencialmente fundamental para a MSM Brasil, pois pode nos transmitir com grande fecundidade carga de Fé, Sabedoria e Militância enraizadas na Fé Católica da Militia. Deus o recompense pela enorme generosidade para com os membros da MSM Brasil.
Somos gratos a todas as pessoas que nos auxiliaram, que confiaram em nós e na proposta de vida regular e militante (Ora et Labora) da Militia Sanctae Mariae.
Pax et Fides!
João Batista Passos
Escudeiro-Donato - MSM

Mais imagens e reportagem, podem ser vista na Agência Motus Liturgicus.
Leia também o artigo escrito pelo Freire Kleber Batista.

quarta-feira, novembro 27, 2013

Alegria do Evangelho

Sobre a Exortação Apostólica do Papa Francisco, que aliás, não li e nem pretendo ler tão cedo, pois já foi-se o meu tempo de correr e querer ler um documento da Igreja só para estar "por dentro" e poder comentar item a item. Mas, pelo pouco que li, de, graças aos bons amigos que tenho e publicou trechos importantes da Evangelii Gaudium (que quer dizer "A Alegria do Evangelho" e não "O Evangelho da Alegria", isso é outra coisa...) percebi que este escrito de S. S. Papa Francisco tem um bom potencial para tirar os Católicos do lugar comum e fazê-los caminhar na Fé, e interessante enfatizar, que o Papa não quer somente um caminhar na Fé, mas um caminhar com ALEGRIA!!!...

Vi que há diversos comentários de trechos isolados, e isso não é o problema, pois eu o faço neste exato momento, mas trechos isolados recortados por Jornais seculares, que tem de mim toda a manifestação de que devem ser livres para expressar, é importante dizer que nem sempre possuem fundamentação teológica, histórica ou até mesmo cultural para emitirem informações confiantes e consistentes sobre os temas, muito pelo contrário, ou por falta de conhecimento, ou por pura oposição, ou por pura invencionice, lançam artigos no mínimo dispensáveis, para não dizer outras coisas.

Agora, o que eu percebi do pouco que li, em alguns trechos, é que o Papa não arreda um milímetro da Fé (Doutrina), porém, avança-se suficientemente na disciplina para causar mau estar em quem se preocupa mais com a forma do que com o conteúdo.

Duas tendências da Igreja tendem a se enrolarem com as ideias do Papa Francisco, os irredutíveis ditos Tradicionalistas, que tendem a desejar não só permanecerem na condição de defensores de uma Tradição Formal (o que em tese é importante, mas insuficiente por si mesma) e por isso, talvez se sintam ameaçados ao ler que a Igreja deve Caminhar e talvez o termo "uma Igreja em saída..." lhes cause estranheza. Não quero dizer aqui também que tradicionalistas não saem e não evangelizam e também que não evangelizam com alegria, mas há também os que se prendem, se fixam e permanecem demais nas formas e nas fórmulas um tanto quanto complexas, úteis sim, mas que se mostram pouco atraentes para a prática cotidiana do Evangelho, do anúncio, do algo maior e inexplicável mistério, que com amor devemos praticar.

A outra tendência, que parece festar mais com as declarações do Papa e pegar somente trechos entre as vírgulas que os convém, são os irascíveis modernistas. Estes parecem estar alinhadinhos com o Papa, ou melhor dizendo, parece que o Papa está alinhadinho com eles, sim, pois eles não se alinham a ninguém que antes não alinhassem a eles (Libertação impositiva esta dos modernistas eclesiais, não?!)

Esta tendência, sobretudo o da desqualificada Teologia da Libertação (desqualificada por seus métodos e práticas... isso não sou eu quem a definiu assim) irá pegar trechos da Alegria do Evangelho e irá transformá-la indubitavelmente no "Evangelho da Alegria", do que se pode tudo, tudo e tudo... até terminar por incutir o ser humano na qualidade específica de um animal irracional (engraçado que eles conseguem fazer isso com o ser humano julgando a tese modernista ser racional demais... eu não consigo entender...). Festinhas litúrgicas, abandono do Sagrado e a profanação de altares, muita pipoca e pouco zêlo... assim entenderão e farão "entender" a muitos que é assim que o Papa, agora alinhados a eles, deve ser.

Enfim, eu me sinto incomodado também, não sou modernista, não sou tradicionalista, não sou nada, só me considero conservador por crer que a Fé Católica é uma Fé transmitida desde as origens e que, pela Graça de Deus, chegou a este pobre e indigente criatura (opa, criatura não...) e que nem poderia pensar em mudá-la ao meu gosto, até porque se fosse ao meu gosto eu não iria querer mudar nenhuma religião, pois seria mais fácil não seguir nenhuma.

Mas, mesmo me sentindo incomodado pelo apelo do Papa em uma "Igreja que sai", me sinto as vezes também apavorado, vai que o 1 bilhão de católicos ouçam este sussurro de seu Pastor, compreendendo o que ele realmente quer dizer e resolve de fato sair ao mundo como peregrinos, missionários, Filhos da Igreja...?!?

Se o Papa nos pede para que saíamos em Missão... saíamos... Surgit, Eamus!!!

Per Mariam!

segunda-feira, outubro 21, 2013

Versão Digital da Regra da MSM

Clique e leia a Regra dos Cavaleiros de Santa Maria

No dia 21 de outubro de 2013, conclui a digitação do texto português da Regra dos Cavaleiros de Santa Maria em versão digital para ser divulgada via internet. O texto foi enviado para análise e aprovação por parte da Província de São Nuno de Santa Maria, que envolve Portugal, Espanha e Brasil.

O texto foi mantido em sua integralidade, visando ser um fac-simile da Regra, porém, foi nos autorizado que alguns erros de impressão pudessem ser revisados, mas sem mudar em nada, em nenhuma palavra. Toda a essência da Regra foi mantido, conseguimos não cair na tentação de adequá-la para as características mais comuns da língua portuguesa e suas formas que nos são mais próximas e pessoais, mantendo-a totalmente em seu formato e sentido original.

Aproveitamos a oportunidade para convidar aqueles que se interessem por uma vida Regular e Militante a lerem esta via da vocação dos Cavaleiros de Santa Maria.

Clique aqui e leia também "O que é Milícia de Santa Maria".

João Batista Passos
Militia Sanctae Mariae

sábado, outubro 12, 2013

Vs.

eu ia postar alguma coisa...mas vioru um desabafo pessoal e não vou postar, mas to cansado das bandeiras dentro do catolicismo...
Neocons brigando com Rad-trads... ora, e pensar que eu não vejo sentido algum em um e em outro... e eles defendem arduamente suas bandeiras, suas catolicidades de praças públicas (leia-se internet)... ora, ora, e eu aqui, pecador, sozinho, procurando uma frestinha para olhar um algo mais sublime, um algo mais verdadeiro, tentando com paciência ter um motivo para melhorar... e que eu sou, neocon, radtrad, modernista, etc. São estas bandeiras que contrastam com a unidade que me fazem pensar "não sou nada", talvez isso seja realmente melhor do que firmar bandeiras nos punhos e desejar ser melhor ferindo o próximo com a haste e assim se determinar... sou melhor, mais católico, mais papista, mais isso ou aquilo... de fato brigam pela excelência de suas opções, mas em essência vejo pouco, vejo menos... talvez um dia eu quis segurar alguma bandeira, fazer um levante contra "os" que pensavam diferente e que deturpavam a multissecular Fé.. daí aprendi que só andei pra trás, que a minha fé passava a ser para a bandeira e não para Cristo. Espiritualmente, quase morri de fome, virei um nada, abandonei trincheiras coletivas e escondi-me em uma que pelo menos me leve a pensar mais em Cristo, na sua verdade, na sua essência, na essência de sua Igreja... talvez seja mais dificil assim, procurar a Fé em Cristo do que nas bandeiras...

quarta-feira, setembro 25, 2013

Ferido ao golpe da espada

"Pois dizes: Sou rico, faço bons negócios, de nada necessito - e não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu." Apocalipse 3, 17

Estar estagnado nos caminhos da Fé Cristã é o pior que pode haver para qualquer um de nós, pois nos sentimos confortáveis e seguros, não corremos riscos. Isso pode nos ser bastante perigoso, pois ao passo que mais acomodados ficamos, vamos nos colocando na condição de julgadores das condições alheias. Nos esfriamos muito, nem percebemos que devido a pensar que estamos seguros e não corremos riscos, deixamos de rezar com fervor, isto quando não acontece de deixarmos de rezar, de ter um contato com Deus, porque ao passo que não saímos de nós mesmos, não saímos do lugar que estamos, deixamos de fazer absolutamente tudo, justamente por estarmos estagnados. Somos qual água parada, nos sentimos sinais de vida, mas se paramos nos tornamos fonte de doenças e infecções, isto espiritualmente é muito ruim, é péssimo, pois mesmo como água parada estamos certos de que somos água, já não vemos a lama e o lodo que em nós acumularam por estarmos certos de que não precisamos avançar, nos mover, nos retratar com o nosso próximo, conosco e sobretudo com Deus.

Nos tornamos preguiçosos, presunçosos, pecamos e estamos com os olhos fechados. Nos achando fortes, na verdade estamos fracos, e tudo ruirá como a casa construída em terreno arenoso. Virá uma chuva ou o primeiro vento e esta cairá.

Temos um enorme medo, e temos sim consciência disso, de abrirmos mão de nossas seguranças e comodidades em relação a fé em Cristo, por pensar que teremos que recomeçar e trilhar um caminho no qual teremos que abrir mão de nós mesmos. Temos a consciência disso e da dor que isso nos provoca. Caminhar para quem está confortavelmente vendo a brisa passar. Levantar e ir para quem está apoiado em alguma pequena obra ou em um pequeno mérito próprio, parece ser bastante penoso. E assim, não saímos do nosso lugar, de nós mesmos. Isto é perigoso. Como diria velhas máximas que "para cair basta estar de pé" ou que "para morrer basta estar vivo". E assim parecemos querer cair ou morrer neste nosso falso conforto e nesta nossa falsa segurança. 

Não há lugar seguro para aqueles que não se fazem pequenos, para aqueles que não se submetem confiantes e a todo o tempo e contra tempo em Deus. Não há definitivamente conforto para quem assim procede.

Para quem vive nesta situação de falsa segurança e de um conforto amolecedor, digo que é melhor ver de frente a morte, é melhor ver-se ferido ao golpe de uma espada, é melhor cair do que ver-se nesta situação. É melhor que o vento venha e derrube esta morada construída sobre pouca base e quase sem nenhum fundamento. É melhor que as nossas vestes nos sejam arrancadas em público do que nos mantermos conscientemente em meio a penumbra, nem nas trevas, nem na luz, nem frio e nem quente. Sim, é triste e pesado dizer isso, mas definitivamente é melhor assim.

Deus é capaz de nos permitir cair para sairmos desta situação de dormência, pois Ele nos ama e nos quer vivos, fortes, sadios em todos as circunstâncias, por isso as vezes tomamos de Suas mãos um empurrãozinho ao ponto de nossas pernas fracas não resistirem e caímos, mas estas mesmas mãos, se prontifica a nos levantar. Deus quer que saiamos do nosso lugar, de nós mesmos, quer que demos abertura ao seu Doce e inigualável amor. Deus nos deseja sempre e quando nos afastamos, nos deseja e nos espera com lágrimas, pois, abrimos mão de nos fortificarmos e de nos completarmos Nele e preferimos nos enfraquecer em nós mesmos, achando assim, estarmos seguros.

Porque, muitas vezes e muitas vezes mesmo, Deus se prontifica, mesmo contrário a sua vontade e a nossa liberdade, que caiamos? Porque o Pai quer que habite em nós, seus filhinhos a força que vem Dele, que vem de Cristo, quer dar-nos a vida nova que vem do Espírito Santo. Ele se prontificou a nos dar tudo o que nos foi preparado por herança e assim Ele quer e peleja de todas as maneiras que voltemos com imensa confiança e entrega os nossos olhos, os nossos ouvidos, o nosso coração, a nossa mente e a nossa alma, enfim, que nos voltemos dóceis a Ele pela prática do mesmo Amor que Ele nos oferece. Saiamos dos túmulos, deixemos nós mesmos de sermos sepulcros caiados (bonitos por fora, podres por dentro). Abraçamos a nossa vida que está em Cristo e saiamos de nós mesmos. 

Deus não quer que nos desfaleçamos em nós mesmos e não quer que sejamos acusados, pois apesar de que Ele nos permita que isso nos aconteça, justamente para que os nossos olhos abram e vejam, Deus deseja, que por caridade a nós mesmos e por meio de penitências e sacrifícios, nos esforcemos conscientemente para que saiamos desta "morte sonolenta" que insiste em acompanhar a todos nós que nos sentimos auto-suficientes e seguros de nós mesmos. Preferencialmente pelo amor, ou em outros casos, pela dor, pela vergonha, pela queda e às vezes mesmo, até pela morte que Deus nos mostra a nossa frente. 

O Apóstolo Paulo, que para se manter vivo na graça de Deus nos deixou escrito isso:

"Demais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade." (II Cor. 12, 7)

Sim, sim! Deus nos mostra o perigo, Deus faz-nos beirar o nosso mais íntimo medo, Ele mostra as nossas feridas e nos envergonhamos, porém, Ele nos livra do perigo, Ele nos livra do mal, Ele nos fortalece ao nos mostrarmos o quanto somos fracos, débeis, insensatos, mentirosos, injustos, desonestos.

São Paulo, o Apóstolo esbofeteado pelo Demônio, nos escreve também na mesma carta e no mesmo capítulo, no versículo 9:

"Mas ele me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo."

E Deus não nos quer, ao nos preparar para a Vida que sejamos auto-piedosos demais, que ficamos da boca para fora pedindo um perdão insistente, Ele quer simplesmente que nos Levantemos, que com Ele caminhemos, de dia de tarde e de noite, e que quando o sono chegar, Ele possa feliz como a gente, velar pelo nosso sono.

Leitura da Carta dos Colossenses 3, 1-17:


1. Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus.
2. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra.
3. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
4. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória.
5. Mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria.
6. Dessas coisas provém a ira de Deus sobre os descrentes.
7. Outrora também vós assim vivíeis, mergulhados como estáveis nesses vícios.
8. Agora, porém, deixai de lado todas estas coisas: ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes da vossa boca,
9. nem vos enganeis uns aos outros. Vós vos despistes do homem velho com os seus vícios,
10. e vos revestistes do novo, que se vai restaurando constantemente à imagem daquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento.
11. Aí não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo, que será tudo em todos.
12. Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência.
13. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós.
14. Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição.
15. Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos.
16. A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais.
17. Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
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Cor mundum crea in me, Deus, et spiritum firmum innova in visceribus meis.

Ne proicias me a facie tua et spiritum sanctum tuum ne auferas a me.
Redde mihi laetitiam salutaris tui et spiritu promptissimo confirma me.
Salmo 51, 12-14

segunda-feira, setembro 23, 2013

Castelos de areia ruem

Na vida ou construímos um castelo ou construímos um castelo de areia. O primeiro é árduo, um trabalho silencioso, não ocioso, no qual se se preocupa mais com as bases e fundamentos do que com as aparências. O segundo é alardeado, exibido, mostrado, sem silêncio, sem bases, sem fundamentos, mas é apresentável. Quando percebemos, se é que percebemos e é bom que percebamos, os nossos castelos de areia ruíram, viram nada mais do que um amontoado de areia, feio, deformado, sem começo e sem fim, sem sentido. Todos constroem castelos, uns de verdade outros não. Infelizmente, as nossas virtudes lançadas a fora faz com que haja uma proliferação de castelos de areia, cada dia se vê enormes obras que irão se desfarelarem com um pouco de vento, com um pouco de chuva e nem precisa muito disso, basta um pouco.

Para castelos de areia, brisas são tão violentas quanto furacões que batem em paredes dos castelos de verdade, a diferença é que castelos de areia não resistem às brisas, ao passo que castelos de verdade suportam furacões violentos. Um vira pó, o outro triunfa em pé nos tempos de bonança. 

Que caiam todos os meus castelos de areia, que virem pó, que sejam derrubados, transformados a nada, que sejam estes ridicularizados por todos os que passam pelo caminho. 

O que muda é que o mundo terá menos castelos de areia.

O que não muda, não deixo de ser um construtor de castelos.

Pax et Fides!